saude

Sono como um astronauta: o sono inusitado da missão artemis ii

Apesar de soar como um sonho, dormir como um astronauta - flutuando sem peso, com o sol e a lua dançando diante dos olhos - é, na prática, uma experiência desafiadora. A tripulação da Artemis II, a bordo da Orion, terá que se adaptar a um sono invertido, em sacos de dormir especiais, em meio a equipamentos e cabos.

Um sono invertido em órbita

Commander Reid Wiseman descreveu a situação: "Christina tem dormido de cabeça para baixo no meio da nave, como um morcego pendurado em um túnel de acoplamento. Victor tem um cantinho aconchegante, Jeremy se esticou em um assento e eu estou dormindo sob os displays, só por precaução." A cada bocejo, Wiseman sentia a imagem de um tropeço, despertando-se abruptamente.

Uma tradição de missões passadas

Uma tradição de missões passadas

A tradição de ser acordado por uma música da playlist escolhida pela própria tripulação remonta ao programa Apollo original. Uma surpresa: a canção de destaque? "Pink Pony Club" de Chappell Roan, cortada antes do refrão, causando algumas reclamações.

Os benefícios surpreendentes do sono em microgravidade

Os benefícios surpreendentes do sono em microgravidade

Apesar das dificuldades, os astronautas relatam um sono profundamente reparador. A microgravidade alivia a pressão na coluna e nas articulações, promovendo a circulação sanguínea. Christina Koch afirma que "dormir no espaço é uma das formas mais confortáveis de dormir, um sono profundo e completo".

O que podemos aprender com os astronautas?

A pesquisa revelou que a tripulação média dorme apenas 5,96 horas, apesar de tentar 7,35 horas. 78% dos membros da tripulação precisaram de medicamentos para dormir. Mas a ciência oferece uma alternativa: simular a ausência de gravidade elevando a cabeça e os joelhos acima do coração, alinhando a coluna e relaxando os músculos. Elevar as pernas reduz a pressão no coração e facilita a respiração, diminuindo roncos. A pressão sobre o próprio corpo é aliviada, o que pode reduzir problemas digestivos como refluxo.

O que os especialistas dizem

Dr. Laura Barger, que monitorou astronautas durante missões espaciais, descobriu que a tripulação média dorme apenas 5,96 horas, apesar de tentar dormir por 7,35 horas. Dr. Lara Aillon-Sohl, especialista em sono e psiquiatra da Headspace, explica que a chave não está na altura, mas na sincronia com o relógio interno. Preparo com um banho quente pode acelerar a queda da temperatura corporal, facilitando o sono. Os astronautas precisam se acomodar em sacos de dormir compactos com colchões rígidos, se enrolando para evitar flutuar. A disciplina de dormir em um horário consistente é fundamental, mesmo nos fins de semana.

Dicas para um sono melhor na terra

Priorize horários regulares, mesmo que pequenos desvios sejam aceitáveis (até 30 minutos, no máximo). Prepare o quarto como um santuário: escuro, silencioso e fresco. Evite telas antes de dormir. Ajuste a posição para manter o corpo imóvel. Se você é um dorminhoco lateral, use dispositivos que o mantenham nessa posição. A consistência é a chave. Para otimizar o descanso, treine seus hábitos para ver o quarto como um refúgio de tranquilidade. O 'melhor' é aquele que te deixa em repouso, mas uma rotina rigorosa, não apenas um travesseiro sob os joelhos, garante uma noite revigorante.

Conclusão: a beleza da improvisação

Em microgravidade, não há cima nem baixo. Astronautas podem dormir em qualquer direção que lhes proporcione conforto. A tripulação da Artemis II demonstrou que, mesmo com desafios, é possível encontrar um sono reparador. Afinal, o corpo se adapta, e a busca pelo descanso perfeito é uma jornada contínua – seja em órbita ou na Terra.