Profeta falso: ex-membros revelam segredos chocantes de seita poligâmica
Uma nova investigação da Netflix expõe os horrores de uma seita poligâmica liderada por Samuel Bateman, um homem que mantinha mais de vinte “esposas espirituais”, incluindo dez menores de idade. “Trust Me: The False Prophet”, a série documental de quatro partes, levanta questões perturbadoras sobre abuso, tráfico sexual e a manipulação de crenças religiosas.
A história de naomi: uma fuga da escuridão
No centro da narrativa está Naomi, uma das ex-esposas de Bateman. Sua história, contada com coragem e vulnerabilidade, revela como ela foi atraída para a seita por meio de um sistema de coerção e manipulação familiar. Na época, com pouco mais de vinte anos, Naomi, apelidada de ‘Nomz’, era a décima terceira esposa de Bateman, inserida em um ambiente onde sua própria vontade era sistematicamente suprimida. Um membro de sua família relatou que a exaustão mental a tornara suscetível à influência do líder, que a convenceu de que “Deus Pai me impressionou para dizer que você pertence à minha família.”
Inicialmente, Naomi demonstrava uma adesão quase cega a Bateman, expressando a crença de que sua devoção era a única forma de encontrar um propósito. “Só penso no que ele plantou na minha cabeça, não tenho mais minha própria mente,” disse ela, em um momento de reflexão contundente. A busca por pertencimento, comum em muitos, foi explorada e distorcida por Bateman para fins de controle.
O documentário também revela a ambição bizarra de Bateman: usar um vídeo com suas “esposas”, algumas delas visivelmente menores, para convencer a Rainha Elizabeth II a se juntar à sua comunidade. A gravação, que incluía as mulheres cantando, foi entregue ao FBI por Christine Marie e Tolga Katas, os cineastas, como prova do abuso sistemático de Bateman.

A queda e a redenção
A reviravolta na história de Naomi ocorreu em agosto de 2022, quando Bateman foi preso dirigindo um caminhão com várias mulheres e meninas em seu interior. Inicialmente, Naomi tentou defender Bateman à polícia, chegando a implorar por sua libertação. “Você tem que deixá-lo ir!”, exclamou ela. No entanto, um mês depois, uma operação da FBI resultou no resgate das mulheres e meninas, e Naomi, após tentar proteger os menores sob as ordens de Bateman, acabou se entregando às autoridades.
Passados 21 meses na prisão, Naomi iniciou um processo de questionamento e autodescoberta. Foi nesse período que ela percebeu a extensão da manipulação que sofreu e a falsidade das crenças que a haviam aprisionado. “Olhando para trás, parece que eu era uma pessoa completamente diferente,” lamentou ela, descrevendo a experiência como algo “além do que qualquer um poderia imaginar”.

Um novo capítulo
Hoje, Naomi está reconstruindo sua vida, cursando psicologia na faculdade e compartilhando sua jornada de cura e empoderamento nas redes sociais. Ela encontrou a liberdade de explorar novos horizontes, viajar e se conectar com pessoas que a apoiam. “Acreditei que ele era o meu único caminho para o céu, para Deus. Se ele detivesse as chaves da minha salvação, qualquer coisa que eu fizesse o condenaria se ele não aprovasse,” confessou Naomi. “Então, eu ia ser submissa, obediente, a esposa perfeita. Tornei-me uma mestre em adivinhar como ele queria que eu respondesse.”
Em sua conta do Instagram, Naomi refletiu sobre o primeiro ano após sua libertação: “Um ano atrás, hoje, saí do tribunal sem ter uma ideia clara do que o futuro me reservava. Estava apavorada, incerta e sentia que havia vivido uma vida esmagada em submissão de alguma forma.” Sua história é um testemunho da resiliência humana e um lembrete da importância de questionar as estruturas de poder e buscar a verdade, mesmo quando ela parece inatingível. A jornada de Naomi, agora, é um farol de esperança para aqueles que buscam se libertar de sistemas opressivos e encontrar a própria voz.
