Profeta falso: documentário revela abusos e manipulação em seita poligâmica
Um novo documentário da Netflix, Trust Me: The False Prophet, expõe a história chocante e devastadora de Samuel Bateman, líder de uma seita poligâmica que manteve mais de vinte “esposas espirituais”, incluindo dez menores de idade. A produção de quatro partes mergulha nas táticas de manipulação e tráfico sexual de Bateman, reveladas através da investigação meticulosa dos cineastas Christine Marie e Tolga Katas.
A história de naomi, a ex-esposa que rompeu o silêncio
No centro da narrativa, está Naomi, uma das ex-esposas de Bateman, talvez a mais dedicada antes de sua fuga corajosa. Coagida a se casar com o falso profeta por sua própria prima, Naomi carrega consigo a história de manipulação e controle que permeou a comunidade da FLDS (Fundamentalist Church of Jesus Christ of Latter-Day Saints).
Naomi, apelidada de “Nomz”, era uma jovem de vinte e poucos anos quando foi atraída para a seita, já exausta e fragilizada por assédio constante. Segundo relatos de familiares, Bateman a convenceu com a frase: “O Pai Celestial me impressionou para dizer que você pertence à minha família”. A manipulação era tão profunda que, segundo sua própria prima Netty, “ela só pensa o que ele plantou na cabeça dela, não tem uma mente própria”.
Em um momento de reflexão no documentário, Naomi declara: “Eu só me arrependo de não ter ido [a Sam] antes”. Ela revela que, dentro da seita, o desejo de pertencer era mais forte do que a razão. “O que mais uma garota poderia pedir senão pertencer a algum lugar?”, questiona.
Bateman, em uma tentativa bizarra de atrair a Rainha Elizabeth II para sua comunidade, gravou um vídeo com Naomi e os cineastas, com a intenção de postá-lo no YouTube. O vídeo, que Marie entregou ao FBI como evidência, mostrava as “esposas”, algumas delas claramente menores de idade, cantando em uníssono, um retrato perturbador da exploração e do abuso.

A fuga e o despertar na prisão
A virada na história de Naomi ocorreu em 28 de agosto de 2022, quando Bateman foi preso dirigindo um caminhão com várias mulheres e meninas em seu interior. Naomi, presente no momento da abordagem policial, inicialmente tentou defender Bateman, implorando para que ele fosse libertado e silenciando as outras mulheres. Na época, ela se considerava parte de uma elite, como diz: “Na nossa mente, somos como celebridades [por escolher viver uma vida totalmente dedicada a Deus]
