Maine: drama no senado e o fardo de histórias passadas
Ainda no meio da tarde de terça, já sentia o alívio de não precisar mais ler sobre, ou lidar com, a campanha do senador democrata em Maine – o famoso ‘espetáculo’ do Graham Platner. O interminável debate público entre os democratas na mídia, finalmente, chegará a um fim, de um jeito ou de outro.

A mesquinhez da confissão
Não sei ao certo por que os democratas se dispõem a compartilhar tantos de seus pensamentos internos com a imprensa, mas sei que isso não os favoreceu ao longo dos anos. A imprensa não é sua amiga, e certamente não deveria ser. Essa angústia Hamletiana polarizou os eleitores da primária democrata de maneira semelhante à dinâmica predominante nas primárias presidenciais de 2016 – a experiência mais amarga que vivi cobrindo política.
É verdade que os ataques recentes contra Platner têm raízes em suas investidas populistas contra o ‘poder do dinheiro’, mas ele demonstra pouca preocupação em se auto-avaliar antes de embarcar nessa aventura. Encontrar-se como matéria-prima para consultores pagos é uma coisa, mas não perceber que seu passado pode ser usado contra você é outra. Platner parece cego aos riscos que trouxe à sua própria campanha.
Ao mesmo tempo, a presença fantasmagórica de Janet Mills na cédula é uma afronta aos eleitores do estado. Se você vai concorrer, concorra – não importa quão distante esteja nos votos ou na arrecadação de fundos. Não se esconda em casa e espere que o candidato mais popular leve suficientes golpes abaixo da linha para afundá-lo. E, em última análise, a presença de Brett Kavanaugh na Suprema Corte é fruto do lento e hesitante posicionamento de Susan Collins em relação a acusações credíveis de agressão sexual. A história nos mostra que isso foi um divisor de águas em relação ao Estado de Direito e à separação de poderes. O país não pode se dar ao luxo de mais dois anos de um Senado republicano. Tudo o mais é mera cortina de fumaça.
