Kering alerta: crescimento lento e turnaround no gucci

O conglomerado francês Kering divulgou nesta terça-feira um primeiro trimestre com crescimento de receita estagnado, em 3,57 bilhões de euros, sinalizando desafios significativos para sua marca insignia, Gucci.

Desempenho frágil e expectativas abaixo

As vendas de moda e artigos de couro caíram 3%, bem abaixo das projeções de queda de 2%. O gigante da moda, Gucci, que representa 1,35 bilhão de euros de receita, apresentou um declínio ainda mais acentuado de 8%, superando as expectativas de -6%. Apesar de um leve avanço em relação ao trimestre anterior, com redução de 10%, a marca italiana continua sob pressão.

O CEO Luca de Meo enfatizou que o “Gucci permanece nossa principal prioridade”, anunciando um “turnaround abrangente” com ações decisivas em cliente, distribuição e, crucialmente, na oferta de produtos. A estratégia, segundo De Meo, envolveu uma reestruturação da linha de produtos e foco em categorias específicas, com novas coleções sendo lançadas gradualmente.

Primavera e a reação do mercado

Primavera e a reação do mercado

A chegada das coleções de Demna, o estilista que assumiu a direção criativa do Gucci, ocorreu de forma gradual ao longo do trimestre, começando com a coleção La Famiglia. Os resultados foram positivos, com a peça representando mais de 7% a 8% do total de SKUs e vendas no Q1. A coleção Primavera, disponível em quantidades limitadas através do modelo ‘see-now-buy-now’, também despertou interesse, com expectativa de um lançamento completo no verão.

Os dados revelam uma dinâmica complexa: enquanto o Norte da América registrou um crescimento de 9% nas vendas no varejo, a Ásia e a Europa apresentaram resultados negativos. A China, em particular, enfrenta desafios, com o Kering investindo em uma estratégia de ‘relevância cultural’, apostando em storytelling, embaixadores e ações regionais para revitalizar a marca.

Diversificação e crescimento seletivo

Diversificação e crescimento seletivo

O grupo como um todo registrou uma queda de 7% nas vendas no varejo na Europa Ocidental, enquanto a América do Norte apresentou um crescimento de 9%. O Japão sofreu uma retração de 3%, a Ásia-Pacífico, uma queda de 4% e o restante do mundo, incluindo o Oriente Médio, um declínio de 8%. Marcas como Bottega Veneta, Saint Laurent, Balenciaga e Brioni contribuíram para o crescimento do grupo, com Bottega Veneta liderando com maior margem.

Brilho nas joias e óculos

A divisão de joias, composta por Boucheron, Pomellato, Dodo e Qeelin, apresentou um crescimento expressivo de 22%, atingindo 269 milhões de euros. A área de eyewear também se destacou, com um aumento de 7% para 489 milhões de euros. O analista Luca Solca, da Bernstein, ressalta a dificuldade de reverter a situação da Kering, mesmo com o otimismo demonstrado pelas ações da empresa desde a chegada de De Meo.

“É mais fácil acreditar em uma recuperação do que em criá-la”, afirmou Solca. A Kering realizará seu Capital Markets Day em Florença, em 16 de abril, onde De Meo apresentará sua estratégia para o grupo, com o objetivo de retornar todas as marcas – exceto McQueen – ao crescimento anual. A marca McQueen, por sua vez, está em processo de reestruturação, com cortes de pessoal, uma medida que, segundo De Meo, visa otimizar a estrutura da empresa.