Euphoria: luxo, drama e a nova era da moda na tv

A terceira temporada de Euphoria está prestes a estrear, e as mudanças são evidentes: Lexi e Maddy brilham em Hollywood, Jules se dedica à arte e, em uma reviravolta que incendiou as redes sociais, Nate Jacobs veste Bottega Veneta. Mas o que realmente importa é como a série, que sempre ditou tendências, eleva a moda a um novo patamar de ostentação e narrativa.

O impacto da moda exclusiva na trama

A presença de marcas de luxo em Euphoria nunca foi novidade – Maddy já desfilou Dior e Chanel, e Rue já ostentou peças vintage de designers renomados. No entanto, a escolha de Bottega Veneta para Nate, em um set de construção, levanta questões intrigantes. A imagem do personagem, outrora associado a um estilo mais rebelde, agora se veste com um conjunto de couro que custa mais de 12 mil dólares. Essa justaposição – o luxo em um ambiente despretensioso – é uma assinatura do que Sam Levinson, o criador da série, busca: o choque de contrastes que amplifica a complexidade de seus personagens.

A importância da moda em Euphoria foi meticulosamente explorada no livro Euphoria Fashion, da A24, que mergulha nas escolhas de Heidi Bivens, a figurinista responsável pelas duas primeiras temporadas. O livro revela como as roupas não são apenas acessórios, mas ferramentas narrativas que moldam a identidade dos personagens e refletem suas jornadas emocionais.

A ascensão do luxo e o poder da cultura pop

A ascensão do luxo e o poder da cultura pop

A terceira temporada sinaliza uma aposta ainda maior no luxo, com a colaboração entre Balenciaga e Levinson. Essa parceria transborda os limites da série, expandindo o universo de Euphoria para o mundo da moda. Pierpaolo Piccioli, diretor criativo da Balenciaga, expressou o desejo de “fotografar esta geração”, e Levinson, com sua habilidade de criar personagens complexos e visualmente impactantes, era o parceiro ideal.

Louise Yems, diretora de estratégia da The Digital Fairy, destaca que o sucesso de Euphoria reside em sua “lore social”, ou seja, a mitologia que se constrói em torno da série e seus personagens. Essa mitologia, alimentada por fandoms e comunidades de criadores, oferece às marcas uma oportunidade única de se conectar com um público jovem e engajado.

A cifra fala por si só: a terceira temporada já acumulou quase 100 milhões de visualizações no trailer em apenas dois dias, demonstrando a força do interesse do público. Acompanhar a evolução dos personagens – Maddy trocando os decotes por uma camisa transparente que remete às passarelas de Haider Ackermann, Cassie abandonando os tons pastel para abraçar a sensualidade das roupões de seda – é um convite à reflexão sobre o amadurecimento e as novas identidades que emergem.

Natasha Newman-Thomas, a nova figurinista, e Levinson já demonstraram em The Idol a capacidade de integrar marcas de luxo de forma orgânica, sem cair em clichês de produto placement. O objetivo não é vender roupas, mas sim contar histórias através da moda, explorando a tensão entre o desejo e a realidade, a fantasia e a ostentação.

Em um mundo onde a moda busca incessantemente capturar a atenção de um público cada vez mais jovem, Euphoria se apresenta como um laboratório de tendências, um espelho da cultura pop e um palco para a expressão da individualidade. A série prova que a moda, quando bem utilizada, pode ser muito mais do que apenas roupa: pode ser uma ferramenta poderosa para a construção de personagens e a criação de narrativas memoráveis.