Meta invade a quinta avenida: a gigante da tecnologia aposta no varejo físico
Em um movimento inesperado, a Meta, empresa de Mark Zuckerberg, aluga um imponente sobrado de cinco andares na icônica Quinta Avenida de Nova York. A estratégia? Transformar a rua dos milionários em um palco para a marca, competindo diretamente com os pesos-pesados da Moda como Gucci, Prada e Louis Vuitton.
O que a meta espera ganhar com isso?
A aposta da Meta no varejo físico não é apenas sobre vender óculos inteligentes. A empresa, que já vinha testando o terreno com um pop-up temporário desde novembro do ano passado, agora consolida sua presença com um contrato de 10 anos, buscando construir um valor aspiracional em torno da marca e, claro, impulsionar as vendas de seus dispositivos, como os óculos Ray-Ban Meta e Oakley Meta. Matt Jacobson, VP e diretor criativo de wearables da Meta, enfatiza: “Não são apenas lugares para vender óculos. São espaços para celebrar a comunidade, a criatividade e a autoexpressão.”
A ambição da Meta é ousada: a empresa planeja abrir de 8 a 10 novas lojas ainda neste ano, com foco inicial nos Estados Unidos e, em breve, expansão internacional. A mudança de estratégia reflete uma tendência crescente no setor de tecnologia: à medida que o hardware se torna cada vez mais padronizado e os recursos de IA convergem, as empresas buscam diferenciar-se construindo um universo de marca completo, com experiências imersivas e relevantes para o consumidor.
“As marcas de tecnologia estão se inspirando na Moda porque esta sempre ditou as regras da venda de identidade, não apenas utilidade”, afirma Ted Wallace-Williams, diretor de tecnologia criativa da R/GA. Em um mundo onde cada LLM consegue resumir seus e-mails e cada smartphone tira fotos excelentes, o produto em si não é mais o diferencial. O que conta é o que ele significa, o que ele representa.

A moda como inspiração para a tecnologia
A colaboração entre tecnologia e Moda não é novidade – já vimos Google Glass com Diane Von Furstenberg e Apple Watch com Hermès e Nike. No entanto, a Meta e outras empresas de tecnologia estão indo além, adotando estratégias de “world-building” típicas das marcas de luxo, investindo em experiências presenciais e contratando talentos da Moda para aprimorar sua linguagem visual e narrativa.
A nova loja da Meta em Nova York, por exemplo, oferecerá café gratuito e cookies assados por uma padaria de Brooklyn, criando uma atmosfera descontraída e alinhada com a cultura do skate nova-iorquina. Os clientes poderão personalizar seus óculos com uma estação de impressão 3D e experimentar diferentes looks em espelhos de corpo inteiro. A ideia é transformar a loja em um ponto de encontro, um espaço para a comunidade, e não apenas um local de vendas.
Empresas como a Nothing, fabricante de fones de ouvido e smartphones, também estão seguindo o mesmo caminho, abrindo novas lojas e investindo em ativações físicas para promover seus produtos. A Nothing, inclusive, contratou Charlie Smith, ex-diretor de branding da Loewe, para fortalecer sua identidade de marca e atrair o público da Geração Z.
A tendência é clara: em um mundo saturado de conteúdo digital, as experiências presenciais e autênticas se tornam cada vez mais valiosas. “As marcas que souberem criar momentos memoráveis e exclusivos no mundo real terão uma vantagem competitiva significativa”, conclui Matt Maher, fundador e CEO da consultoria fashion-tech M7 Innovations.
A Meta, ao invadir a Quinta Avenida, não está apenas abrindo uma loja. Está declarando guerra ao mundo digital, buscando conquistar o coração e a mente dos consumidores com uma experiência tangível, aspiracional e, acima de tudo, humana.
