Jordan roth redefine a elegância na met gala com escultura ambulante
Jordan Roth, figura conhecida por suas ousadias fashion no tapete vermelho da Met Gala, elevou o conceito a um novo patamar. O produtor teatral e performer, frequentador do evento por sete anos, surgiu em sua oitava aparição envolto em uma criação deslumbrante que desafia as convenções e celebra a fusão entre Moda e arte.
Uma homenagem à escultura clássica e à transformação
Roth, em colaboração com o renomado couturier londrino Robert Wun, apresentou um vestido de veludo cinza-ardósia que integra uma estrutura escultural tridimensional. Inspirado no tema da exposição deste ano, “Costume Art”, e no código de vestimenta “Fashion is Art”, o visual explora a dinâmica entre o corpo humano e a arte clássica, mais especificamente, a representação de figuras em esculturas multifigurais.
“Sempre começo com o tema e as curiosidades que ele desperta em mim”, explicou Roth à Vogue. “Desta vez, a curiosidade residia em entender como seria habitar uma escultura, fazer parte dela.” A ideia não era simplesmente evocar uma estátua, mas sim capturar a interação entre múltiplos corpos, imortalizados em um momento de paixão – seja romance, desejo, medo ou violência. A busca pela representação de um diálogo entre corpos levou a dezenas de esboços, refinando a pose da figura secundária, uma espécie de “sombra” que se funde ao corpo de Roth em um abraço ambíguo, cuja interpretação varia conforme o ângulo de visão.
O processo de criação, meticuloso e complexo, envolveu inúmeras reuniões virtuais e provas, buscando a perfeita harmonia entre o vestido – confeccionado em veludo stretch com um brilho iridescente que remete à textura do mármore – e a estrutura escultural, fixada ao corpo por meio de um arnês de três tiras. “Todo o peso é suportado pelos meus quadris, exatamente como no meu vestido de Schiaparelli com abanador”, revelou Roth, demonstrando a atenção aos detalhes e a engenhosidade por trás da criação.
Apesar do material mais leve utilizado na segunda iteração da escultura, Roth brinca com a inevitabilidade do sacrifício fashion: “O preço que pagamos pela Moda, darling!”. A peça será desmontada para o jantar, evitando constrangimentos como servir a sopa para a escultura.

Uma referência à arte de gérôme e a beleza da transição
A inspiração por trás do visual de Roth se estende à obra “Pygmalion e Galatea” do pintor francês Jean-Léon Gérôme, um dos seus quadros favoritos no acervo do Metropolitan Museum of Art. A pintura retrata o momento em que Galatea, a escultura criada por Pygmalion, ganha vida pelas mãos de Vênus, materializando o desejo do escultor de possuir uma companheira tão bela quanto sua própria criação. “É a transição, a fronteira tênue entre a arte e a vida”, conclui Roth. “Um momento de transcendência entre o artista e sua obra.”
A meticulosidade de Roth se estende a todos os aspectos do visual, desde a aplicação de tecido texturizado flocados para combinar com o vestido, até a customização de suas botas Rick Owens com o mesmo material, garantindo que nenhum detalhe escape ao olhar atento. Até mesmo as luvas e as unhas foram integradas ao visual, criando uma unidade visual impressionante. “Tudo se funde ao vestido, criando a ilusão de que o corpo da escultura e o corpo de carne são inseparáveis”, finaliza Roth.