G-shock e coca-cola: uma colaboração artificialmente atraente?

A Casio lançou um relógio que parece ter saído diretamente de um sonho retro: o G-Shock GA-2100CC-3A, em parceria com a Coca-Cola. Uma fusão que, para alguns, parece mais uma imitação barata do que uma celebração de 140 anos da bebida.

Um brilho sintético, um design questionável

Um brilho sintético, um design questionável

O modelo, baseado no popular GA-2100 – apelidado carinhosamente de “CasiOak” por sua semelhança com o Audemars Piguet Royal Oak – ostenta uma caixa translúcida verde, reminiscente das garrafas vintage da Coca-Cola. O mostrador, em tons terrosos, e os detalhes impressos evocam a carbonatação, criando uma ilusão de ótica perturbadoramente artificial. Um pequeno gráfico de uma garrafa de Coca-Cola funciona como o indicador de data, um recurso que, admito, é no mínimo curioso.

Tecnicamente, o relógio permanece um G-Shock robusto, com a estrutura “Carbon Core Guard” que garante leveza (51g) sem comprometer a sua lendária resistência a 200 metros. Oferece as funções típicas: iluminação LED dual, tempo mundial, cronómetro e temporizador. Mas a questão central é: será que vale a pena?

A reação online tem sido, como esperado, polarizada. Enquanto alguns, como o usuário Ed_the_chosen_one, elogiaram o design “que parece uma garrafa de Coca-Cola”, admitindo, com uma pitada de sarcasmo, que não o usaria. Outros, como RusticPotato123, destacaram a inteligência da escolha de materiais, imitando a sensação de um vidro antigo. O K_Pilkoids, com um cinismo bem evidente, observou que o relógio seria “perfeitamente executado”, mas que ele jamais o usaria. E Die_Nameless_Bitch, com uma perspicácia aguçada, expressou a preocupação de se tornar “um walking billboard”.

A verdade é que, a um preço de 160 euros (valor que, infelizmente, já se esgotou nos Estados Unidos), este G-Shock é um objeto de desejo para colecionadores – mas um desejo que pode ser acompanhado por uma pontada de dissabor. É um produto que celebra o passado a ponto de parecer uma paródia, uma performance visual que mais se assemelha a uma imitação do que a uma homenagem. Um caso de design que, no fundo, questiona a própria noção de autenticidade na era da produção em massa e da digitalização. A Casio, aparentemente, apostou em nostalgia, mas talvez tenha esquecido que a memória, por mais vívida que seja, pode ser facilmente fabricada.

É um relógio, afinal. Algo para todos, mas raramente para todos. E, neste caso, a sensação é de que a celebração está, em si, um pouco deslocada.