Couture floresce: exclusividade e artesanato impulsionam o segmento em meio à crise
Enquanto o restante da indústria da Moda ainda luta por uma recuperação significativa, a alta costura está em plena expansão, impulsionada por clientes de alto poder aquisitivo que mantêm uma forte apetite por exclusividade e artesanato único. “Os pedidos estão completos. Há, por vezes, uma lista de espera de seis meses”, afirma Sidney Toledano, presidente do comité de alta costura da Fédération de la Haute Couture et de la Mode (FHCM).
A desaforte oculto: a escassez de mãos de obra
O principal desafio da alta costura, segundo o executivo, é a escassez de artesãos qualificados para atender à crescente demanda. A temporada recente demonstrou o quão ‘quente’ pode ser a alta costura – literalmente. Após o ardoroso calor da Semana de Moda Masculina de Paris, a onda de calor retornou, assim como os ventiladores e dispositivos de resfriamento nas passarelas. Alguns clientes decidiram evitar a alta costura devido ao calor extremo? “Sem ar condicionado, muitos clientes de elite historicamente evitam o verão por esse motivo”, comenta Cameron Silver, autor e consultor de marcas de luxo.

Mais uma temporada, mais evolução
Independentemente do clima, a Semana de Alta Costura de Paris 2026, que ocorreu de 6 a 9 de julho, apresentou 30 casas, em comparação com as 27 da FW25. Houve dois debuts de alta costura em Paris, de Pierpaolo Piccioli em Balenciaga e Duran Lantink em Jean Paul Gaultier, e três desfiles de sophomore couture, de Jonathan Anderson em Dior, Matthieu Blazy em Chanel e Silvana Armani em Giorgio Armani Privé. A temporada também testemunhou o retorno de Olivier Theyskens com sua estreia co-ed para Boloria, um rótulo recém-lançado pela Weareone.world, a empresa de entretenimento belga por trás do Tomorrowland festival. A histórica leilão de arquivos de Martin Margiela arrecadou 1,385 milhões de euros no Quartier Général em Paris.

Inspirações e tendências
Entre os destaques, a Chanel mergulhou no universo da fantasia, decorando um falso salão com videiras gigantes e flores surreais, inspiradas em ‘A Branca de Neve e os Sete Anões’ e no filme dos anos 90, ‘Jumanji’. Outros designers, como Blazy, buscaram inspiração em ‘Cinderela’, ‘O Cavaleiro da Lua’ e ‘O Pato Zangado’. A Dior explorou paisagens exóticas, inspirada em Ahmedabad, na Índia, e Santa Fe, no Novo México, com colaboração com Lynda Benglis. Em Schiaparelli, os peitorais brilhavam por dentro, enquanto materiais inovadores, desenvolvidos com especialistas em silicone, resultavam em peças moldadas ao corpo. A alta costura, mais do que nunca, se tornou um refúgio, um sonho, e ressoa fortemente com o anseio por escapar da realidade.
Celebridades e novos rumos
A temporada de alta costura contou com a presença de celebridades, como Bad Bunny, que transitou do palco para a passarela, e Zendaya, que usou um vestido de Schiaparelli no lançamento de ‘O Odisséu’ em Londres. Além disso, a indústria da joalheria continua em alta, com marcas como Cartier, Boucheron e Hermès apresentando novas coleções de alta joalheria. O sucesso do casamento da família Ambani em 2024 impulsionou o destaque dos designers indianos, como Manish Malhotra e Rahul Mishra, que expandem sua presença internacional. A crescente popularidade de marcas como Vaishali Shadangule (Vaishali S) e Chorus, com a expertise de Karishma Swali, demonstra a força e o potencial da criação indiana.
O futuro é agora
A alta costura se prepara para o futuro com a apresentação da primeira coleção de alta costura de Nadège Vanhée, diretora criativa da coleção de pronto-uso da Hermès, em Paris, em janeiro de 2027. Com a crescente demanda e a busca por exclusividade, a alta costura continua a prosperar, reafirmando seu lugar como um símbolo de luxo, arte e artesanato, transcendendo as tendências passageiras e as incertezas econômicas.
