Hastie desvenda a new york: um labirinto teatral com hamlet e hiran abeysekera

Robert Hastie, o diretor britânico conhecido por sua abordagem provocadora, retorna a Nova York com uma nova leitura de Hamlet, desta vez em Fort Greene, Brooklyn. A cidade, para ele, não é um todo, mas sim uma amálgama complexa de realidades, um mosaico de experiências que se sobrepõem constantemente – uma verdade que se reflete, inegavelmente, no teatro.

Um príncipe revigorado em palco moderno

A peça, originalmente concebida para o National Theatre em Londres, ganha vida com um elenco renovado, liderado pelo ator Sri-Lankês Hiran Abeysekera, que interpreta o Príncipe Hamlet. Abeysekera, conhecido por sua performance em A Vida de Pi, traz uma intensidade e uma vulnerabilidade inesperadas para o papel, desconstruindo a imagem tradicional do Hamlet melancólico.

“Ele não se assemelha a nenhum dos Hamlets que já vimos”, afirma Hastie. “Possui uma conexão direta e, por vezes, confrontacional com o público, um misto de travessura e sinceridade que o diferencia.”

O design de produção, assinado por Ben Stones, opta por uma estética moderna e ousada, com elementos que desafiam as convenções – um pequeno brinco chamativo, o maníaco hábito de beber Dom Pérignon. Mais do que a estética, é a interpretação visceral de Abeysekera que cativa, como demonstrado em sua estreia em Londres, onde o público permaneceu hipnotizado por mais de uma hora.

A busca por pertencimento em um cenário global

A busca por pertencimento em um cenário global

A jornada de Abeysekera não se limita ao palco. O ator, que cresceu no Sri Lanka, carrega consigo uma complexa relação com a identidade e o pertencimento. Apesar de ter trabalhado extensivamente na cena teatral britânica, ainda enfrenta barreiras legais que o impedem de obter a cidadania. “Existe uma percepção equivocada de que meu trabalho não contribui para o país”, lamenta Abeysekera. “Apesar de gerar empregos e atrair investimentos, minha situação é vista com desconfiança.”

Para Hastie, o que realmente importa é a energia que o público traz para a peça. “Hamlet é uma obra que exige a participação do público, um diálogo constante. Quero ver como Nova York irá influenciar a performance de Abeysekera e o resultado final,” explica o diretor. “O teatro, em sua essência, é uma experiência coletiva.”

Com a estreia prevista para 26 de abril, no Brooklyn Academy of Music, Hamlet de Hastie promete ser um evento teatral inesquecível, uma oportunidade de revisitar um clássico atemporal sob uma nova perspectiva. Mas, para Abeysekera, o verdadeiro desafio reside em encontrar seu lugar no palco e, mais importante, em si mesmo.