Venezuela vista pelos olhos puros da juventude: um retrato revelador
Silvana Trevale, fotógrafa brasileira radicada em Portugal, lança um projeto que transcende a narrativa deprimente que frequentemente acompanha o nome da Venezuela. “Venezuelan Youth” é um mergulho na alma de crianças e adolescentes, capturando a resiliência e a esperança que florescem mesmo em meio à adversidade. Uma jornada visual que desafia o olhar superficial e convida à reflexão sobre a força do espírito humano.
Um tributo à terra natal e um ato de compreensão
Após deixar seu país natal aos 17 anos, Trevale encontrou na fotografia uma forma de reconectar-se com suas raízes e de compreender a Venezuela além dos clichês de miséria e sofrimento. O projeto, publicado pela Guest Editions, reúne imagens capturadas entre 2016 e 2025, resultado de um trabalho paciente e de longo prazo, construindo laços de confiança com os jovens retratados. A fotógrafa imergiu-se em suas vidas, testemunhando de perto as dificuldades enfrentadas, a escassez de alimentos e medicamentos, a perda e a dor. Mas, acima de tudo, observou a capacidade desses jovens de manter a esperança e a alegria, mesmo diante de um futuro incerto.
O contraste é gritante: enquanto o mundo enxerga apenas a crise, Trevale revela a beleza da cultura venezuelana, a força das tradições e a vitalidade de um povo que se recusa a ser silenciado. A nostalgia e a tristeza sentidas pela fotógrafa transformam-se em combustível para um olhar atento e compassivo, capaz de capturar a essência da Venezuela contemporânea.

Equilíbrio entre a leveza da infância e a dureza da realidade
“Como encontrar o equilíbrio ao retratar a juventude entre a leveza da infância e a dureza das condições a que são expostos desde cedo?”, questiona Trevale. A resposta reside na abordagem que a fotógrafa escolheu: através dos olhos dos jovens, com uma mistura de inocência, esperança e força. A fé em um futuro melhor, a capacidade de sorrir e de encontrar alegria mesmo em meio ao caos, são os elementos que moldam a narrativa do projeto. As imagens de Isaac e Yonaiker, por exemplo, capturam a espontaneidade e a vitalidade da juventude venezuelana, um lembrete de que a esperança pode florescer nos lugares mais improváveis.
Trevale confessa que a distância lhe permitiu enxergar detalhes que escapavam à sua percepção enquanto vivia na Venezuela. A saudade das ruas, da família, dos amigos, dos aromas e da luz do país tornou-se um motor para aprofundar o projeto e compartilhar a realidade vivida pelo povo venezuelano. A fotógrafa também ressalta a importância de documentar e preservar as tradições, a música e a dança venezuelanas, elementos essenciais da identidade nacional que muitas vezes são negligenciados pela mídia internacional.
O projeto, que será lançado em maio de 2026, é uma homenagem à Venezuela e ao seu povo, um chamado à empatia e à solidariedade. Uma obra que nos convida a olhar além das manchetes e a enxergar a beleza e a força que residem na alma venezuelana. Como Roberta, tocando sua trombeta na Avenida Libertador, a juventude venezuelana ecoa um grito de esperança, um lembrete de que, mesmo nos momentos mais sombrios, a luz da vida nunca se apaga completamente.
