Reforma tenta o erra o se torce no o renova a si, em busca de um 'clima positivo'
A Reforma, outrora símbolo de um design sustentável e inovador, se viu em um beco sem saída em 2019. A recente venda da maioria das ações para o fundo de private equity Permira e a crescente angústia da equipe de sustentabilidade, diante de relatórios do IPCC que apressavam a crise climática, abalaram a estratégia da marca.
A busca por um ‘clima positivo’ desafiador
A pedido da fundadora, Yael Aflalo, a então diretora de operações, Kathleen Talbot, propôs um objetivo audacioso: superar as emissões e gerar um impacto positivo. Nascia, assim, a ambição de se tornar ‘climate positive’ em cinco anos – uma meta que, na época, carecia de definição clara e de diretrizes do setor.
A busca por esse objetivo se revelou um labirinto de desafios. A expansão da empresa, com a abertura de 10 a 15 novas lojas anualmente, impedia a redução das emissões na sua fase inicial, um problema que Talbot reconhece com honestidade. A pressão por resultados e a falta de um modelo claro de sucesso, naquele momento, tornaram a meta inatingível – e, portanto, ineficaz.

Mudanças e evolução de paradigma
Com o passar dos anos, o debate sobre moda sustentável se sofisticou. As promessas de ‘carbon neutral’ e ‘clima positivo’ perderam força diante de denúncias de greenwashing e da fragilidade dos créditos de carbono. A saída de Yael Aflalo, em meio ao movimento Black Lives Matter, e a chegada de Hali Borenstein como presidente, trouxeram mudanças significativas, mas não alteraram a realidade das emissões.
A Reforma investiu em pesquisa, em legislação mais rigorosa e, crucialmente, em uma mudança cultural interna. A adoção de uma abordagem baseada em dados, com metas individuais para as equipes e bônus atrelados ao desempenho em sustentabilidade, foi um divisor de águas. A empresa aprendeu a equilibrar a ambição com a eficiência, transformando o problema em uma oportunidade de inovação.

Circularidade: o novo rumbo
Hoje, a Reforma se concentra em um novo desafio: a circularidade. A meta de 2030 não é mais apenas reduzir emissões, mas sim eliminar o uso de materiais virgens e criar um ciclo fechado de produção e consumo. A marca já alcançou avanços significativos na redução do uso de cashmere e seda, materiais com alto impacto ambiental, e se comprometeu a investir em novas tecnologias e modelos de negócio.
O caminho é longo, mas a Reforma demonstra determinação e um aprendizado contínuo. A jornada para um ‘clima positivo’ não é uma corrida, mas sim uma evolução constante, marcada por desafios, acertos e, acima de tudo, pela busca por um futuro mais sustentável. A empresa, agora, se prepara para avaliar os resultados alcançados e redefinir o que significa ser uma marca verdadeiramente responsável – um exercício de humildade e autocrítica, crucial para quem busca transformar a indústria da moda.
