Gen z e a busca por algo real: customização e nostalgia desafiam a economia da tendência

Em março, me embastei em busca de uma camisola noturna sob medida na icônica Charvet, em Paris. Uma saga de mais de hora e meia com tecidos, botões e monogramas que culminou, felizmente, em um pedido considerado ‘impecável’ pelo meu parceiro. Mas, ao desembolsar cerca de 600 euros por essa peça, deparei-me com um jovem gen Z, buscando um camisa personalizada. A cena, curiosa, ecoou em meio à efervescência da Paris Fashion Week, com Chanel no auge da ‘Chanel-o-Mania’.

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A geração que desafia o algoritmo

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O que observava na época já era um padrão: a obsessão do público com os sapatos de Matthieu Blazy, a busca frenética por aquele par específico, no tamanho certo. E a questão que pairava no ar: era desejo genuíno ou mera influência algorítmica? A conversa sobre o impacto do algoritmo no consumo, e na proliferação de microtendências, já era constante.

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A verdade é que a Geração Z, imersa em telas desde a infância, encontra no consumo digital um espelho de seu estilo pessoal – muitas vezes, reproduzindo o mesmo visual, incessantemente. Mas, em meio a essa avalanche de influências, uma corrente surge em busca de individualidade: a customização. Não se trata apenas de seguir o hype, mas de investir em peças únicas, feitas sob medida, com detalhes que importam.

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O toque do artesão: valorizando o processo

O toque do artesão: valorizando o processo

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Essa busca por peças personalizadas reflete uma preferência da Geração Z por marcas com forte senso de comunidade e lealdade. Eles querem saber os detalhes do produto – preço, ajuste, materiais, a própria técnica de confecção. Designers como Olivia Villanti, da Chava Studio, observam essa demanda: “Eles são mais opinativos sobre os detalhes, o que é incrível, porque esses detalhes estão profundamente ligados ao corte”. A experiência se torna, portanto, mais do que uma transação comercial; envolve um relacionamento com o artesão, um diálogo, um laço que transcende o mundo online.

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Isiah Magsino, que encomendou um terno na Huntsman em Savile Row, descreve essa intimidade: “Você vai jantar com eles, conversa com eles. É uma comunidade que existe na vida real, não apenas nas redes sociais”. Bjorn Eva Park, proprietária da Eva Joan, concorda: “Eles vêm falando sobre seus vestidos, com entusiasmo. A gente sente que eles valorizam a espera, o tempo que leva para criar algo especial.”

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Nostalgia e a busca por autenticidade

Nostalgia e a busca por autenticidade

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Essa valorização do tempo e do processo se opõe ao estereótipo da Geração Z como desatenta e dependente da gratificação instantânea. A nostalgia, que molda a experiência de muitos jovens, reside em um passado que nem sempre conheceram, mas que encontraram em imagens e referências. Designer Carter Altman observa que seus clientes buscam referências visuais como ponto de partida: “É como se a nostalgia fosse informativa, mas, na minha experiência, geralmente é sobre as pessoas não conseguirem expressar o que gostam dessas referências”.

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Ao contrário dos clientes mais velhos, acostumados a um mundo onde o traje era parte da rotina, a Geração Z busca a originalidade, a possibilidade de criar algo novo, de deixar sua marca. Audrey Kalman, escritora do Substack Media Roundup, conta que cresceu com sua avó costurando suas roupas. “É importante sentir que você está fazendo algo novo”, afirma. “Eu sou alguém nascida em 2000 que ainda consegue fazer coisas originais. Há trabalho manual em nossas vidas, não é só tela.”

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E assim, a busca por peças sob medida se torna um ato de resistência, um refúgio contra a uniformidade do mundo digital. Não é uma questão de seguir tendências, mas de construir uma identidade autêntica, baseada em valores como qualidade, exclusividade e, acima de tudo, em uma conexão humana.”n,n