Designers revelam: o que a moda nos diz sobre o mundo em 2026

As passarelas da temporada de outono/inverno 2026 não foram apenas um desfile de roupas. Elas foram um espelho, refletindo a complexidade e as incertezas do nosso tempo. De Chanel a Balenciaga, os designers mais influentes do mundo abriram seus cadernos de esboços e suas mentes, compartilhando reflexões que vão muito além da estética. A Vogue Runway, após acompanhar 500 desfiles, compilou trechos dessas conversas – algumas traduzidas – para entender o que a moda nos diz sobre o futuro, a realidade e a busca por significado em meio ao caos.

A busca pela autenticidade e o retorno ao essencial

Em um mundo saturado de imagens e tendências passageiras, muitos designers clamam por um retorno à realidade. Pieter Mulier, da Alaïa, declarou: “Quero roupas para pessoas reais, não para uma imagem. Reduzir, reduzir. Sem bolsas, sem joias. Apenas beleza e roupas e um sapato à pele”. A filosofia se repete em Celine, onde Michael Rider busca “figurar o caráter” de uma jaqueta, em vez de apenas cobrir. Essa busca por autenticidade se traduz em separadores, peças atemporais e um minimalismo que valoriza a qualidade sobre a quantidade.

O prazer do ofício e a releitura do clássico

O prazer do ofício e a releitura do clássico

Mais do que a criação de peças de vestuário, a moda se revela como um refúgio, um espaço de expressão e prazer. Yohji Yamamoto confessou: “Se eu não fizer [isso], fico entediado”. A alegria de criar, a repetição, a paixão – esses são os combustíveis que impulsionam a inovação. Ao mesmo tempo, há uma reverência pelo clássico, reinterpretado com um toque de ousadia. Roksanda Ilincic, por exemplo, observa que “precisamos de um sonho. mas a realidade é bem triste”, e busca equilibrar ambos os polos.

A moda como escudo e reflexo da alma

A moda como escudo e reflexo da alma

Entre as declarações mais impactantes, destacam-se aquelas que abordam a moda como um escudo contra as incertezas do mundo. Julie Kegels, da Julie Kegels, deseja que suas roupas “protejam o eu real”, enquanto Sarah Burton, da Givenchy, busca criar silhuetas que representem “cada mulher como sua própria personagem”. A moda, portanto, se torna uma ferramenta de autoexpressão e empoderamento.

O futuro da moda: informalidade, liberdade e a celebração do ser

A temporada de outono/inverno 2026 também prenuncia uma nova era na moda, marcada pela informalidade, pela liberdade de expressão e pela celebração do ser. Neil Grotzinger, da Nihl, fala em “formalidades informais”, enquanto Demna, da Gucci, busca criar uma mentalidade de “loucura” e “estar fora de casa”. E a mensagem final, ecoada por Kenneth Ize, é clara: “É tudo sobre união”. A moda, em sua essência, continua a ser um reflexo de quem somos e de onde queremos ir.

A Maison Loewe, liderada por Jack McCollough, enfatizou a importância do “prazer de fazer”, um mantra que ressoa em toda a temporada. Daniel del Valle, da Thevxlley, descreve a criação como sua “meditação”, um processo que o ajuda a encontrar equilíbrio em meio ao caos. Até mesmo a supermodel, em sua busca por significado, se questiona: “Posso algo supérfluo ser considerado essencial?”

A reflexão de grandes nomes

Chanel: “Estou interessada na ideia de construir um sonho, um trabalho em andamento. Chanel é uma revolução silenciosa, mas com um impacto poderoso.” — Matthieu Blazy.

Prada: “É sobre a liberdade de ser inspirado, de juntar coisas diferentes que se sentem contemporâneas.” — Raf Simons.

Saint Laurent: “Gosto da ideia de ser uma contradição entre algo muito convencional e algo muito sensual.” — Anthony Vaccarello.

O legado continua

A temporada de outono/inverno 2026 reafirma que a moda é muito mais do que apenas roupas. É uma linguagem, uma forma de expressão, um reflexo do nosso tempo. As palavras dos designers, capturadas pela Vogue Runway, nos lembram que, em meio à incerteza e à complexidade, a moda pode ser um farol de esperança, criatividade e autenticidade. Como disse Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, “no final, há o preto. O preto é a cor para mim.” Uma cor que, paradoxalmente, abre espaço para infinitas possibilidades.