De passarelas a gramados: o que acontece quando os designers abandonam a moda?
A moda, um universo vibrante e onipresente, muitas vezes consome aqueles que se dedicam a ela por completo. Mas o que acontece quando esses criadores, por diversas razões, decidem se afastar dos holofotes? Uma jornada de descobertas inesperadas, novas paixões e, por vezes, um renascimento criativo em territórios inexplorados.

Um olhar analítico sobre a transformação
Minha experiência na FAPESP me ensinou a observar o mundo com um olhar analítico, e essa habilidade se mostrou valiosa ao investigar as trajetórias de designers renomados que se reinventaram após deixar o mundo da moda. Christian Lacroix, por exemplo, trocou as passarelas pelo teatro, encontrando uma nova forma de expressão artística. Helmut Lang, ícone dos anos 90, dedicou-se à arte, expandindo seus horizontes criativos. Rifat Ozbek, conhecido por suas criações exuberantes, encontrou refúgio e inspiração no design de interiores.
Nos últimos anos, a indústria da moda testemunhou uma rotatividade impressionante, com novos talentos surgindo e outros se despedindo. Francisco Costa, após 13 anos na Calvin Klein, fundou a Costa Brazil, uma linha de beleza sustentável. Dries van Noten, após quase 40 anos à frente de sua marca, embarcou em uma nova fase, centrada em sua fundação em Veneza e na restauração de um palacete do século XV.
A Fundação Dries Van Noten: Um Legado de Artesanato A fundação, instalada no Palazzo Pisani Moretta, é um espaço dedicado à celebração do artesanato em suas diversas formas – cerâmica, vidro, prata, música, culinária – uma ode à criatividade humana em sua essência. “Para mim, o artesanato é amplo. Quero abranger diferentes disciplinas”, afirma Van Noten, revelando sua visão de um futuro onde a arte e a cultura se entrelaçam.
Haider Ackermann, após um período de introspecção, redescobriu sua paixão pela moda, aceitando convites de Tom Ford e Canada Goose. Clare Waight Keller, após uma pausa para reflexão, mergulhou na cultura japonesa, trabalhando com a Uniqlo e expandindo seus horizontes criativos. Christopher Bailey, após anos intensos na Burberry, encontrou a felicidade na paternidade, priorizando sua família acima de tudo.
Sarah Burton, após 26 anos na Alexander McQueen, trouxe sua estética única e excêntrica para a Givenchy. Cada um desses designers trilhou um caminho singular, demonstrando que a criatividade não se limita a um único campo de atuação.
John Galliano, após um período de afastamento, retornou com força ao cenário da moda com sua coleção para a Margiela, e agora se prepara para assumir a Zara, uma mudança ousada que promete agitar o mercado. A capacidade de se reinventar e abraçar novos desafios é, sem dúvida, a marca registrada desses visionários.
Essas histórias nos lembram que a vida é um ciclo de transformações, e que a verdadeira criatividade reside na capacidade de se adaptar, explorar novos caminhos e encontrar significado em cada etapa da jornada. A moda pode ser um palco, mas a vida é o palco principal.
