“Strictly come dancing”: tiktok decide o futuro dos dançarinos?

A BBC, dona do popular programa “Strictly Come Dancing”, enfrenta acusações de estar utilizando o número de seguidores no TikTok como critério para decidir quais bailarinos profissionais permanecerão no elenco para a próxima temporada. A medida, que visa atrair um público mais jovem, gerou controvérsia e levanta questões sobre a meritocracia no mundo da dança.

Uma estratégia digital para conquistar a nova geração

Uma estratégia digital para conquistar a nova geração

Em um esforço para modernizar o programa e ampliar seu alcance, a BBC parece estar apostando pesado nas redes sociais. A plataforma TikTok, com sua crescente popularidade entre os jovens, se tornou um campo de batalha inesperado para os dançarinos do “Strictly”. Aparentemente, aqueles que não conseguem construir uma base sólida de seguidores na plataforma correm o risco de serem deixados de fora.

Nomes como Nadiya Bychkova e Michelle Tsiakkas, ambas com pouco mais de 20 mil seguidores no TikTok, e Gorka Marquez, que sequer possui um perfil na rede social, estão sob suspeita. A situação se torna ainda mais delicada considerando que, nos últimos anos, a produção tem convidado influenciadores digitais com grande alcance no TikTok e outras plataformas, como Joe Sugg e Tilly Ramsay, buscando atrair a atenção de um público mais jovem. A lógica, embora compreensível do ponto de vista comercial, levanta um debate sobre a importância do talento e da experiência em detrimento da popularidade online.

O que ninguém conta é que a dança profissional exige anos de dedicação, treinamento intenso e um domínio técnico que vai muito além da capacidade de criar vídeos virais para o TikTok. Reduzir a avaliação de um profissional da dança a um número de seguidores parece simplista e desconsidera a complexidade da arte que eles praticam.

Karen Hauer, veterana do programa com 14 anos de experiência, anunciou sua saída recentemente, em um vídeo emocionante. Embora ela tenha citado a busca por novos projetos como o motivo principal de sua decisão, a especulação sobre a influência do critério do TikTok paira no ar. A BBC se recusou a comentar o assunto, o que apenas alimenta as dúvidas e a desconfiança em torno das decisões de escalação.

A próxima temporada promete ser diferente, com novos apresentadores e, possivelmente, um elenco renovado. Resta saber se a aposta nas redes sociais se traduzirá em um aumento significativo de audiência ou se a mudança de rumo comprometerá a qualidade e a credibilidade do “Strictly Come Dancing”. A dança, afinal, é muito mais do que números e likes.