O novo prada: a moda se sacode em um mundo em transformação
A saga de Andy Sachs, a jovem ambiciosa que se viu engolida pelo universo implacável de The Devil Wears Prada, ganha nova vida. Mas a adaptação para o segundo filme, The Devil Wears Prada 2, surpreendeu e desviou-se do roteiro original, refletindo as turbulências que assombram a indústria da moda.
Uma nova era, novos desafios
Segundo a roteirista Aline Brosh McKenna, a decisão de alterar significativamente a trama – eliminando a queda dramática da amiga de Andy, Lily, e redefinindo a figura de Miranda Priestly, a temida editora-chefe – surgiu da necessidade de espelhar a realidade de um setor em profunda mutação. ‘Não se trata apenas de uma história sobre ambição, mas sobre a busca por valores em um mundo que se move a uma velocidade vertiginosa’, explica McKenna, em entrevista exclusiva à Vogue.

De livro a tela: uma adaptação consciente
A adaptação do romance de Lauren Weisberger, um dos sucessos da década de 2000, já havia sido um desafio. A visão original de Frankel, que investiu em uma representação crua e sem concessões do ambiente de trabalho da Vogue, foi aprimorada por McKenna, que buscou equilibrar a intensidade com a complexidade. ‘Queremos mostrar a maquinaria por trás do glamour, a pressão, a competição, mas sem cair em clichês’, revela McKenna. Achave foi evitar a caricatura, buscando a autenticidade em cada detalhe.

Além do pé de chumbo: o futuro da moda
A mudança de cenário – de Nova York para um mundo pós-pandemia, com as grandes indústrias da moda, como a editorial, a de publicidade e o jornalismo, passando por transformações radicais – adicionou uma nova camada à narrativa. ‘O mundo mudou, e a moda também’, comenta McKenna. ‘Acreditamos que a história de Andy Sachs ainda é relevante, mas precisa ser contada sob uma nova perspectiva, refletindo as novas dinâmicas e os novos desafios.’
Um retorno vencedor
A decisão de não seguir o roteiro original do livro, focando em uma jornada de autoconhecimento para Andy e em um questionamento dos valores da indústria, acabou sendo apedra angular do sucesso do filme. O resultado é uma história que ressoa com a realidade contemporânea, onde a busca por propósito e a resistência à superficialidade são mais relevantes do que nunca. O Prada de hoje é diferente, e Andy precisa se reinventar para acompanhar.’
