Euphoria: estilo exagerado e inconsistência levam a críticas severas ao terceiro temporada
A estreia da terceira temporada de Euphoria causou um choque. A recepção foi, no mínimo, furiosa. E não é difícil entender porquê. A série de Sam Levinson, conhecida pela sua abordagem visceral e estilizada, parece ter tropeçado no próprio orgulho.
Um show de marcas e contradições
A crítica generalizada concentra-se, inevitavelmente, nos excessos visuais. Um casaco streetwear japonês de 5.000 dólares no corpo de Rue, enquanto a jovem traficante tenta desesperadamente uma nova vida. Ou Nate, ostentando um Bottega Veneta com uma aparente falta de recursos. A série, que se apresentava como um retrato da juventude contemporânea, regressa agora a um padrão já conhecido: a ostentação desenfreada como símbolo de uma geração perdida.
O que inicialmente podia ter sido uma crítica mordaz à cultura do consumo, rapidamente degenerou num espetáculo de luxo e incongruências. A intencionalidade do autor, que pretendia satirizar a obsessão por status, parece ter-se perdido em meio a um mar de peças de alta costura e poses exageradas.

O sonho americano revisitado (e desfeito)
A trama, por sua vez, não colhe elogios. A ideia de que o sonho americano se resume a espreitar pornografia no telemóvel parece ter sido reduzida a um conceito vazio. A introdução com Maddy a gerir influenciadores de nudez e a rápida escalada de Alamo Brown, com as suas “regras de não beber, não drogar e não trair”, revelam uma narrativa confusa e pouco consistente.
A sombra de Ashtray, o irmão falecido de Fezco, paira sobre a série, lembrando-nos das consequências trágicas das escolhas de Rue. A morte do jovem, que ocorreu no final da segunda temporada, serve como um contraponto sombrio à aparente despreocupação dos personagens, mas a sua importância parece ter sido subestimada.

Um retorno de personagens promete correr risco
Apesar das críticas, há um fio de esperança. O regresso de Eric Dane como o pai viciado em sexo de Nate, Cal, e a inclusão de Rosalía como Magika, a dançarina do Silver Slipper, sugerem que Levinson pretende explorar as complexidades das relações familiares e as consequências das escolhas passadas. Apesar de tudo, a série continua a parecer estagnada, presa num ciclo vicioso de excessos e inconsistências.
No entanto, a verdadeira força de Euphoria reside na sua capacidade de confrontar temas tabus com uma honestidade brutal. Se a terceira temporada conseguir recuperar o foco e mergulhar nas profundezas psicológicas dos seus personagens, talvez consiga escapar à sua própria armadilha. Caso contrário, corre o risco de se tornar apenas mais um exemplo de
