De ação para comédia: taccone surpreende com 'corpo a corpo' e reinventa o thriller
Jorma Taccone, o mesmo mind behind os vídeos hilários do Saturday Night Live e dos Lonely Island, surpreendeu a todos ao entregar ‘Corpo a Corpo’, um thriller de invasão domiciliar que desafia as convenções do gênero e entrega uma dose cavalar de violência e humor.
Uma mudança radical no olhar de um diretor
Após a comédia nonsense de ‘MacGruber’, Taccone embarca em uma jornada transformadora, canalizando a essência de John Woo para criar um filme onde a ação e o riso dançam em perfeita harmonia. A mudança é gritante, mas o resultado é visceral e inesquecível.

Influências do cinema de hong kong
O diretor confessou sua paixão pelo cinema de Hong Kong, especialmente o trabalho de Chow Yun-fat, como uma influência fundamental. ‘Eu cresci assistindo a esses filmes’, revela Taccone, ‘e a estética da ação, com seus personagens que sangram e lutam com determinação, sempre me fascinou’. Essa influência se traduz em cenas de luta realistas e brutais, mas que nunca perdem o toque cômico.

Jason segel e samara weaving: dupla improvável
O filme acompanha Dan (Jason Segel), um diretor de cinema medíocre que planeja matar sua esposa, Lisa (Samara Weaving), durante um fim de semana romântico. A trama se complica quando eles se envolvem com um trio de assassinos em fuga, liderados por Timothy Olyphant, Juliette Lewis e Keith Jardine. A dinâmica entre os personagens é hilária e imprevisível, com reviravoltas que surpreendem a cada momento.
A beleza da imperfeição
O que torna ‘Corpo a Corpo’ tão especial é a sua autenticidade. Os protagonistas não são assassinos profissionais, mas sim casais litigantes que se metem em apuros. As cenas de luta são caóticas, improvisadas e, por vezes, desastrosas. Mas é justamente essa imperfeição que torna o filme tão divertido e envolvente. A direção de fotografia, com seus ângulos inusitados e iluminação sombria, contribui para criar uma atmosfera tensa e claustrofóbica. Em uma cena memorável, Segel escorrega em sangue ao tentar desarmar um adversário, em um momento que lembra as clássicas cenas de Jackie Chan. ‘Eu queria colocar esses momentos de comédia dentro das sequências de luta’, afirma Taccone, ‘Quando Sam vai correndo e espreita para não escorregar, isso causa risadas no público. É um lembrete de que as pessoas estão realmente prestando atenção’.
O legado de 87north
A produção do filme conta com o apoio de 87North, uma empresa especializada em ação cinematográfica, fundada por David Leitch e Kelly McCormick. ‘Nós acreditamos que a ação deve contar uma história’, afirma McCormick. ‘O trabalho de coreografia não pode ser apenas pessoas lutando ou atravessando paredes – ele precisa ser coreografado para o humor e ainda ser o suficiente para que o público sinta cada golpe. É difícil de fazer, mas é algo em que a 87North se especializou’.
Um final inesperado
Ao contrário de muitos filmes de ação, ‘Corpo a Corpo’ não oferece um final grandioso ou heroico. Dan e Lisa sobrevivem, mas suas vidas nunca mais serão as mesmas. Taccone entrega uma mensagem sutil: a violência pode ser engraçada, mas a vida real é muito mais complexa.
O último palpite de um mestre da comédia
‘Eu queria fazer este filme para o desafio’, diz Taccone. ‘É três filmes em um: um thriller de suspense, uma invasão domiciliar e um filme de ação. Tem drama real. Meu pai era diretor de teatro há 40 anos – eu cresci fazendo peças de teatro de verdade. Trabalhar com atores em cenas de verdade foi um retorno à minha juventude. E ver se eu conseguia fazer um remake que me agradasse tanto quanto o original era um alto padrão para mim’. Taccone, que já demonstrou versatilidade em diferentes gêneros, não descarta a possibilidade de explorar o horror no futuro. ‘Eu adoraria fazer tudo’, afirma. ‘Filmes familiares de quatro quadrantes até mais ação. Fui procurado para fazer terror. Eu amo ação, sempre amei, e definitivamente [fará] o que me interessar’.
