Calderone desafia a design: nova linha de mobiliário revela a busca por conforto

Athena Calderone, a força por trás da EyeSwoon e conhecida por sua sensibilidade estética, acaba de lançar Assembler I, uma coleção de mobiliário e iluminação que transcende a mera decoração. A apresentação, exclusiva na The Future Perfect em Nova York, sinaliza uma nova fase na trajetória da designer.

Materiais e proporções: uma ode à arte deco

A coleção, inspirada na elegância da Art Déco francesa, explora a materialidade com uma precisão quase obsessiva. A combinação de madeira revestida, laca, pergaminho e detalhes em níquel cria uma sinfonia de texturas e cores, evocando o passado com um toque contemporâneo. Calderone descreve o processo como um novo ‘idioma’ a ser aprendido, evidenciando o controle total da sua equipa sobre os desenhos e as proporções ao longo de dois anos.

Os detalhes, como os painéis de pergaminho vegetal, originários de Kyoto e inspirados na sua coleção de papéis de parede Calico, Cadence, e até mesmo os rebordos de brocado da cadeira Prelle, revelam uma atenção meticulosa ao acabamento. A mesa lateral Courbe, com a sua curva sinuosa, lembra a forma de uma escultura, subvertendo a noção tradicional de um armário.

Conforto além da estética

Conforto além da estética

Mas a verdadeira inovação de Assembler I reside na sua abordagem pragmática. A equipe de Calderone enfrentou um desafio com o processo de laca, encontrando uma solução inteligente: um tampo de vidro preto embutido que simplificou a limpeza. “Quando se preocupa tanto com a beleza de um objeto, ele perde a sua atração,” explica Calderone. É um reflexo da filosofia por trás de todo o seu trabalho: design não é apenas adornos, mas sim uma forma de pensar sobre o espaço que habitamos.

A colaboração com a David Chipperfield-designed townhouse, com a recente remoção das paredes de gesso e a reintrodução do revestimento original, demonstra a profunda ligação de Calderone com a história do espaço e a sua busca constante por novas experiências. A instalação, que exibe obras da sua própria galeria e de Amelie du Chalard, é um testemunho da sua visão.

Assembler I não é apenas uma coleção de móveis; é a materialização de um processo de pesquisa e experimentação. Calderone, que já se descreveu como alguém que se afasta do passado, demonstra uma ousadia notável ao embarcar neste novo capítulo. “Eu tenho uma parte de mim que nunca olha para trás”, afirma. “Quando fecho um capítulo, estou terminado. O meu apartamento era um laboratório, um lugar de desordem intencional para estimular a inovação.”