Cabelos texturizados: revolução silenciosa no set e além
Por décadas, o cabelo texturizado foi relegado a um segundo plano na indústria da moda e Beleza, um mero detalhe a ser ignorado em passarelas e sets de filmagem. Mas essa realidade está mudando, impulsionada por uma nova geração de profissionais e pela crescente demanda por representatividade.

Uma manifestação de empoderamento
Na passada quinta-feira, o evento ‘Texture On Set’, idealizado pela hairstylist Naeemah LaFond, reuniu mais de 300 profissionais – de editores de moda a celebridades – para discutir e propor soluções para uma indústria que historicamente marginalizou a Beleza negra. O evento, com patrocínio de marcas como Olaplex, Oribe e Dyson, foi mais do que uma simples formação: foi um ato de construção de comunidade e de defesa de uma mudança sistêmica.
LaFond, que viu de perto a frustração de modelos com seus cabelos texturizados em sets de filmagem, transformou essa experiência em um movimento. ‘Texture On Set’ não é apenas um evento; é a materialização de um desejo por equidade e respeito na forma como a Beleza é concebida e representada.
A programação do evento foi rica e diversificada. Desde tutoriais centrado no cuidado capilar, liderados por Christin Brown, ambassadrice global da Olaplex, até demonstrações da estilista Stacey Ciceron sobre a versatilidade de um rabo de cavalo texturizado, cada sessão buscava desmistificar as técnicas e celebrar a complexidade dos diferentes tipos de cabelo.
A história da cultura negra e da inovação capilar também foi tema central, com a historiadora Michela Wariebi, especialista em maquiagem e cultura afro, que contextualizou a importância do cabelo como ferramenta de resistência e identidade. “É fundamental compreender o contexto histórico por trás das práticas de cuidado capilar negra,” afirma Wariebi, “pois o cabelo sempre foi muito mais do que estética – foi, e ainda é, uma forma de subversão e de afirmação da identidade.”
A celebração culminou com a entrega de prêmios, honrando figuras como Chuck Amos, um lendário cabeleireiro que inspirou gerações de artistas, e Sondrea Demry, premiada como ‘Rising Visionary’. Ursula Stephens recebeu o título de ‘Industry Icon’, e Itaysha Jordan, o de ‘Living Legend’.
Mas o trabalho da ‘Texture On Set’ vai além de um único dia. LaFond tem a ambição de catalisar conversas mais profundas e ações concretas em toda a indústria. A mudança, segundo ela, exige uma colaboração unida para reconhecer os pontos cegos, educar artistas e talentos e, acima de tudo, mostrar-se preparado para fazer melhor no set e nos escritórios.
‘É preciso que todos se unam para encontrar um caminho,’ declara LaFond. ‘Não se trata de uma única marca ou pessoa que use sua voz. É sobre todos nós, coletivamente, dizendo que isso precisa mudar.’ A indústria da moda e Beleza está, finalmente, acordando para a importância de dar voz e visibilidade aos cabelos texturizados – e o resultado é, sem dúvida, promissor.”n
