Beleza na ásia pacífico: recuperação já em curso – mas não é só china
A Beleza na Ásia-Pacífico está se reerguer, mas a narrativa tradicionalmente focada na China está sendo drasticamente reescrita. Novas análises da Generation Research revelam que o crescimento da região depende cada vez mais de mercados como Vietnã e Índia, enquanto a gigante chinesa continua a apresentar desafios.
Desaceleração regional: china é o fator determinante
O primeiro trimestre de 2026 registrou uma queda de 11,1% nas vendas de Beleza no varejo de viagens da Ásia-Pacífico, totalizando 4,5 bilhões de dólares. A responsabilidade por 93% desse declínio recai sobre a China Continental, um dado que desafia as justificativas anteriores das grandes empresas do setor, que apontavam a fraca performance em Mainland China e Hainan.
No entanto, a situação é mais complexa do que parece. Excluindo a China Continental, as vendas de Beleza no varejo de viagens na região cresceram quase 8%, impulsionadas principalmente por skincare e fragrâncias. O enclave de Hainan, um paraíso de compras offshore, também demonstra sinais de recuperação, indicando que o problema não é sistêmico, mas sim concentrado.

Hainan: o novo polo de atração
Apesar das expectativas infladas durante a pandemia, Hainan se reinventa. O complexo duty-free Sanya International Duty Free Shopping Complex, com 95.000 metros quadrados, já gera uma receita anual que supera a de diversos países. Eudes Fabre, gerente geral do Hainan Tourism Investment Duty Free, ressalta que a percepção de Hainan como um “freio” foi resultado de expectativas exageradas. A implementação do Free Trade Port (FTP) e o reforço da fiscalização estão reorientando o mercado para consumidores reais.

Outras potências emergem
Enquanto China se mostra resiliente, outras nações se destacam. O Vietnã e a Índia, com classes médias em ascensão, estão se tornando mercados-chave para as marcas de Beleza. Os consumidores chineses estão viajando mais internamente, impulsionando a recuperação de Hainan, e o interesse por viagens a países como Coreia do Sul e Tailândia está retornando. A demanda por produtos de Beleza está mais forte do que nunca, impulsionada por uma nova dinâmica de consumo.
Desafios na china: mais do que apenas taxas alfandegárias
A China Continental, no entanto, ainda apresenta obstáculos significativos. Mudanças nas concessões de varejo nos aeroportos, juntamente com tensões geopolíticas em relação a Japão, continuam a impactar negativamente o mercado. As marcas, como a Shiseido, estão adaptando suas estratégias de marketing, buscando novos públicos e ajustando seus portfólios de produtos. A Shiseido, por exemplo, intensifica o foco em tons mais escuros para atender à crescente demanda de consumidores asiáticos, como evidenciado pela recente introdução da base Nars Natural Matte Longwear Foundation, com tons desenvolvidos especificamente para a pele asiática.
O consumidor chinês redefine o sucesso
Apesar das dificuldades, a China não está isenta de inovação. Yvonne Chan, COO do China Duty Free Group, aponta que os consumidores chineses estão priorizando experiências, produtos que refletem seus interesses e um atendimento personalizado. A geração Z valoriza a exclusividade, investimentos em conceitos de varejo imersivos e serviços sob medida. Nada mais serve; a expectativa é de um relacionamento mais profundo e significativo com as marcas.
Fragâncias: um futuro promissor
A ascensão da beleza na Ásia-Pacífico está redefinindo as categorias de produtos. Skincare continua a liderar o crescimento, com um aumento de 12% no primeiro trimestre, seguido por fragrâncias com 9,8%. Subcategorias como fragrâncias unissex e masculinas também mantêm um bom desempenho, indicando uma tendência de compra superior. A demanda por eau de parfum sugere que os consumidores estão buscando produtos de maior qualidade. A oportunidade de crescimento em fragrâncias, em particular, é notável, impulsionada pela adoção de nichos por parte dos consumidores chineses, que estão fugindo das marcas tradicionais e buscando conhecimento digital.
