Taos ski valley: o segredo americano que desafia a todos

A 12.000 pés, no meio dos Rockies do Novo México, Taos Ski Valley esconde um contraste chocante: paisagens de tirar o fôlego e um espírito de resistência que repele o glamour superficial do mundo do esquí.

Um desafio para o ego e uma ode à autenticidade

Esqueça os chapéus trucker com o nome da marca e os yurtas de champanhe. Taos é outro universo. É um cheiro a feijão com bacon que te invade, arquitetura alpina charmosa e uma tradição de martinis que, literalmente, brota na neve. Aqui, o ‘bragging rights’ são conquistados com a coragem de encarar o ‘Ridge’, um backcountry de proporções épicas, onde a descida é um testamento à habilidade e à determinação. Como Mathias Klingemann, instrutor de esqui, gosta de ironizar: “Se você vier para Taos com um ego grande, pode ser humilhado.”

O que torna Taos tão especial? A simplicidade brutal. A fila de elevadores é curta, a multidão é mínima, e o público é composto por aqueles que buscam algo mais do que um ‘selfie’ em alta velocidade. É um lugar onde a beleza natural fala mais alto do que o marketing.

Além da verticalidade: uma cultura enraizada

Além da verticalidade: uma cultura enraizada

Mas Taos é muito mais do que um resort de esquí. É um caldeirão de culturas – indígena, mexicana e espanhola – que se fundiram ao longo de séculos. A Taos Pueblo, Patrimônio Mundial da UNESCO, é uma manifestação extraordinária dessa história, um testemunho da resiliência e da tradição. E, claro, a cidade de Taos, a apenas 30 minutos de distância, é um centro de arte que atraiu artistas como Georgia O’Keefe e D.H. Lawrence, que nunca mais partiram.

A atmosfera é palpável: um lugar que te envolve, que te chama para se perder em suas vielas e em suas histórias. É um ‘foreign country’ dentro dos Estados Unidos, como descreve Angelisa Espinoza Murray, fundadora da Heritage Inspirations, uma empresa de turismo que celebra a cultura local. E, como ela diz, “Taos te entra na alma.”

A história do resort, herdado pela família Blake e, posteriormente, pelo conservacionista Louis Bacon, é um exemplo de visão e investimento. A filosofia é clara: modernizar sem perder a essência. O ‘sign’ que paira sobre a descida de Al’s Run – “Não entre em pânico! Você está vendo apenas 1/30 de Taos Ski Valley” – é a personificação dessa abordagem. Um convite para explorar, para se aventurar, para descobrir que a aventura está em cada curva.

E, para aqueles que buscam a verdadeira experiência, há os martinis escondidos nas árvores – um ritual que começou em 1959 com Ernie Blake, o fundador do resort, e que se mantém vivo até hoje. Uma dose de ousadia, uma pitada de tradição, e uma dose extra de autêntico espírito Taos. A viagem de Albuquerque é longa, mas valeu cada quilômetro. O céu estrelado, sem a poluição luminosa das grandes cidades, é um espetáculo inesquecível. A sensação de que se encontrou um refúgio, um lugar onde o tempo parece desacelerar.

Taos não é apenas um destino de esqui, é uma experiência de vida. Um lugar onde se pode esquiar, relaxar, aprender sobre outras culturas, e se conectar com a natureza. É um segredo bem guardado, mas que vale a pena ser compartilhado – com cautela, é claro. Após todo o investimento, o proprietário, Louis Bacon, insistiu que não se divulgassem as particularidades do lugar. Mas, como diria Ernie Blake, o fundador, “O melhor lugar é aquele que se descobre.”