Stephen colbert se despede do the late show em noite caótica e repleta de referências
Após quase onze anos
e 1.801 episódios, Stephen Colbert finalmente desligou o banco do The Late Show. Uma saída forçada, sem dúvida, mas que se assemelhou a uma fuga épica para o ‘Monte Doom’ – como descreveu o próprio Colbert, um paralelo inquietante com o Anel Único. A Paramount, com suas pressões políticas e megamergers, pareceu ter lançado o veterano apresentador no vazio.A despedida com o coração à mostra
Em seu último programa, Colbert se entregou a um discurso de quase dois minutos, expressando sua gratidão ao público. “Amamos fazer este programa para vocês, mas o que realmente, realmente amamos, é fazer este programa com vocês”, declarou, em um momento de pausa que, provavelmente, refletia a necessidade de recompor-se. “Digo a vocês o que sempre disse e sempre quis: tenham um bom programa, obrigado por estar aqui, e vamos fazer isso, y’all.”
Apesar da finalidade final, Colbert insistiu em manter o tom habitual do programa, com um monólogo de abertura que, surpreendentemente, foi pontuado por aparições de celebridades como Bryan Cranston (que protagonizou um ‘fit’ por não ser o último convidado), Paul Rudd (com banana na boca e outro ‘fit’ igualmente dramático) e Tim Meadows. A transmissão seguiu com falhas técnicas e anomalias cósmicas, culminando em um sketch final que retratava Colbert descobrindo um buraco negro faminto em outros estúdios de late night. Neil deGrasse Tyson, Jon Stewart, Elijah Wood e até mesmo o Strike Force Five – Meyers, Oliver e ambos os Jimmys – participaram de uma paródia sobre o desespero existencial do humor noturno, em meio ao revival de Trump. Aparentemente, a ‘fenda’ consumidora não era apenas um buraco, mas uma metáfora.

Um adeus musical e um toque de beatles
Enquanto o programa avançava em direção à entrevista com Paul McCartney, o cenário foi palco de constantes problemas técnicos. O clímax chegou com um sketch final que incorporou um mashup emocionante de “Jump Up” do Costello e “Hello, Goodbye” dos Beatles, com Colbert e McCartney se unindo ao lado de Jon Batiste e Louis Cato para um final de despedida memorável. A equipe do programa se juntou aos artistas em um jam session frenético, enquanto Colbert e McCartney se retiravam aos porões do Ed Sullivan Theater para desligar as luzes do lendário palco.
McCartney deu o último toque, desligando o interruptor – um gesto silencioso que reconhecia o impacto duradouro dos Beatles no Ed Sullivan Show em 1964, um momento que lançou Beatlemania e pavimentou o caminho para o futuro da cultura popular. Colbert, mesmo em meio à emoção, manteve a compostura de um profissional experiente, com um breve momento em que sua banda ‘ilegalmente’ executou a trilha sonora de Peanuts, sabendo que CBS teria que pagar por isso. A partida de Colbert não é um adeus, mas sim um recomeço. Ele está trabalhando em um novo filme de O Senhor dos Anéis – e, como ele mesmo disse, “decidir apenas o que fazer com o tempo que nos é dado”.
Após onze anos, Colbert transformou cada minuto em algo significativo. E, como em qualquer boa história, o final é apenas o começo de um novo capítulo.
