O enigmático mundo do vinho de jesse katz
Jesse Katz cresceu com o olhar sempre voltado para a lente da câmera. Seu pai, Andy, é um legendário fotógrafo cuja obra inclui projetos a longo prazo que documentam vinhas desde a Sassicaia em Toscana até o Château Margaux em Bordeux. É assim que o jovem nascido na Colúmbia Britânica encontrou-se cedo entre as mais prestigiadas vinhas do mundo.
O primeiro contato com o vinho
Lembrando-se de quando tinha 12 anos e estava em Borgonha, Katz conta que, de repente, copos de vinho começaram a aparecer à sua frente.
“Eu estava olhando em torno, pensando se estava prestes a pegar em problema com meus pais. Foi assim que tive minha primeira introdução ao vinho.”

Um novo caminho
Em 2009, após se tornar um enólogo e trabalhar em algumas das mais prestigiadas vinhas do mundo, Katz abriu a Aperture Cellars, uma adega em Healdsburg, Califórnia.
A Aperture, é claro, foi uma homenagem a seu pai, cujas fotografias decoram as etiquetas. Mas a metáfora vai mais fundo do que marketing. Em fotografia, a abertura é a pupilar da câmera, o abrir que permite que a luz entre. Para encontrar a abertura correta, o fotógrafo deve estar atento ao seu assunto.
O mesmo ocorre com Jesse Katz enquanto enólogo na Aperture Cellars. Ele considerou cada lote dos seus 200 hectares, espalhados em 5 AVAs (American Viticultural Appellation). “Há tantas microclimas”, explica. “Temos mais diversidade de solos na Conta de Sonoma do que em toda a França.”
Katz especializa-se em parcelas mais frias na Alexander Valley tanto por necessidade (a terra em Healdsburg é tão rara quanto Bordeux) quanto por preferência. Em vez de outros enólogos que imprimem seu estilo nos vinhos, Katz afirma que tenta permitir que as condições dictem sua ação.
“Meu objetivo é dar um sentido de lugar e tempo a cada ano com cada vinhaça.”
Isso significa que, para cada microclima, cada variação de solo, cada diferença em deslizamento diário ou exposição à luz, Katz altera seu método. E isso logo foi validado.
“Nós estabelecemos todos os registros dentro da região”, afirma. “O primeiro Malbec de 100 pontos na história dos Estados Unidos; o primeiro Cabernet do Alexander Valley; a única adega nos Estados Unidos a obter 100 pontos para cada vintage, desde 2018 até 2023.”

Um estilo inovador
Como uma adega tenta se tornar lenda, um pode pensar que a abertura ficaria cada vez mais estreita. Depois de tudo, em termos de vinhos, mais específico é mais prestigiado. Katz começou com blends de uvas, passou para vinhas únicas e, por fim, introduziu seus primeiros vinhos blended, chamados Collage.
Já era um contrariar. “Em vez de ter quaisquer limitações de appellation varietal”, explica Katz, “o que se perguntou foi se não tentaria fazer o blend absoluto, sem restrições, dos melhores lotes, um branco e um tinto por ano?”
Este ano, a nova colheita constrói sobre o sucesso da anterior. “2023 será considerado um dos melhores vintages que já vimos na Califórnia em muito tempo”, afirma Katz.
Katz selecionou cerca de 300 lotes individuais para o Red Proprietary Blend e entre 60 e 70 para o White Proprietary Blend. O tinto, que é o Cab Sav mas com a presença de todas as variedades do Bordeaux, é tanto muscular, graças às taninos, quanto ágil, graças aos solos mineralizados.
Após 24 meses em barrica e seis em concreto especialmente feito, não permanece no palato tanto quanto dança sobre ele. (De nota, a entrega foi acompanhada por um vinil by DJ Truthlive.)
Já o Propriatary Blend Branco é tudo Sav Blanc. Este spends ligeiramente menos tempo em barricas do que seus irmãos e emerge ágil. É texturizado e nuances, com frutas como papaya e limão flutuando na língua.
Como se convém a uma Collage, é um blend harmônico que de alguma forma é maior que a soma de suas partes.
